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quarta-feira, junho 20, 2012

DITO E FEITO...


Laranja


"Laranja" é aquele que, ingenuamente (ou não), empresta seu nome para outro em negócios ilícitos. Também significa tolo.

Uma versão para a origem do sentido remonta à Lei Seca americana, no começo do século 20. Os beberrões clandestinos injetavam bebida na fruta para chupá-la depois e, assim, enganar a polícia.


segunda-feira, maio 14, 2012

DITO E FEITO


Abraço de Tamanduá


O tamanduá-bandeira é o maior de todos os tamanduás. Sua grande cauda, semelhante à uma bandeira, é responsável pelo seu nome.

O tamanduá-bandeira (Myrmecophaga tridactyla) tem um andar desajeitado. Isso acontece porque ele anda nos nódulos dos dedos, assim suas garras nunca tocam o solo e permanecem afiadas para cavar as fortalezas de barro construídas por cupins e formigas (as únicas presas que fazem parte de seu cardápio). O tamanduá é lento, praticamente cego e possui uma audição muito ruim. A primeira vista parece uma presa fácil.

Parece mas não é! Quando sente uma ameaça o bandeira muda completamente de postura: apoia-se nas patas traseiras, abre os braços, mostra as garras afiadas e espera pacientemente. Se o predador investir, recebe um abraço mortal. Dessa forma pode matar até uma onça-pintada. Por isso, quando você recebe um abraço de uma pessoa que não gosta de você, dizemos que essa pessoa está dando o famoso “abraço de tamanduá”.


Fonte: National Geographic

 

segunda-feira, janeiro 30, 2012

DITO E FEITO


Grogue

Alguém grogue pode estar bêbado ou ter tomado um belo soco. Um boxeador que apanha fica grogue. E a origem da palavra, de fato, evoca um golpe baixo, desferido pelo almirante Edward Vernon em todos os integrantes da Marinha Real britânica.

Em 1740, preocupado com o grau de alcoolismo dentro dos navios do Reino Unido, que ele chamava de "o dragão da bebedeira", Vernon tomou uma atitude temerária. Mandou diluir a ração diária de 1 litro de rum em 200 ml de água - nenhum almirante antes dele teve coragem de mexer na quantidade da bebida distribuída a bordo.

O contra-ataque da marujada veio depressa. O almirante usava um casaco grosso de gorgorão e por isso tinha o apelido de Old Grog (em inglês, gorgorão é grograin). O nome da bebida diluída oferecida aos marinheiros virou grogue - em "homenagem" a Vernon.

A tradição de servir álcool nos navios da Marinha britânica só acabou em 1970.

No Brasil, grogue, no sentido de tonto ou bêbado, é palavra que existe desde 1887, de acordo com o Dicionário Houaiss.

segunda-feira, setembro 26, 2011

DITO E FEITO


Isso são favas contadas


A expressão já aparecia na literatura dos séculos 16 e 17, em Portugal e na Espanha. Nessa época, votava-se usando grãos de favas (leguminosas que produzem grandes sementes, usadas na alimentação desde o inícioda civilização).

As sementes podem ser de várias cores. As favas brancas significavam "sim" (a favor de algum candidato ou proposta), e as escuras, "não" (contra). As pessoas aptas a votar colocavam a fava escolhida dentro de uma urna. Ao final da votação, a apuração era feita pela contagem dos grãos.

A expressão "favas contadas" significa que, mesmo de antemão, existe a certeza de que alguma coisa já está decidida ou resolvida.

terça-feira, agosto 23, 2011

DITO E FEITO


Pôr em pratos limpos


Uma explicação para a expressão, que significa "esclarecer uma situação", foi dada pelo filólogo João Ribeiro: o ditado original deve ter sido "pôr em prata limpa", em castelhano. A metáfora comparava uma coisa embaçada, nebulosa, a uma prata velha e suja. Deixando essa prata limpa, via-se seu real aspecto. Em espanhol, hablar en plata significa "falar francamente".

Outra versão diz que a frase surgiu em 1765, quando foi aberto na França aquele que é considerado o primeiro restaurante do mundo nos moldes atuais. Lá ficou acertado que o freguês pagaria a conta depois de comer. Quando o dono ou garçom vinha cobrar e o cliente não tinha feito a refeição, mostrava o prato limpo como prova de que (ainda) não devia nada.

segunda-feira, agosto 22, 2011

FELIPEGUERRÊS...


Tomar um 'copim'?

É uma expressão usada quando alguém está tomando uma bebida alcoólica (cerveja, cachaça, whisky) e oferece-a a um conhecido que acaba de chegar.

O 'copim' aí significa 'copinho'. Em nossa região (assim com em muitos lugares) temos o costume de engolir o 'inho' e trocar por um simples 'im' (tadim, bichim, finim, meninim...).

segunda-feira, agosto 15, 2011

FELIPEGUERRÊS...


Vamos estrear um quadro aqui intitulado "Felipeguerrês", para comentar algumas expressões e gírias que existem na cidade de Felipe Guerra e pela região. Muitas são usadas inclusive em todo o Nordeste, mas tentarei me focar principalmente nas que são mais usadas (ou mais exclusivas) aqui em minha terra.
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Para começar...


Se "apeie"

O verbo "apear" significa "por a pé", "desmontar", e era muito usada no caso de alguém estar montado em animal tipo cavalo ou burro.

Nos tempos modernos, quase ninguém utiliza mais esse meio de transporte, por isso, a expressão ganhou ares também modernos.

Em Felipe Guerra, ela é usada quando alguém chega em um veículo (bicicleta, motocicleta, carro) e fica parado por alguns instantes (em cima da bicicleta ou moto, ou dentro do carro), e aí a pessoa que já está sentada fala pra ele "se apear", ou seja, descer ou sair e vir sentar junto com ele.

É uma expressão muito comum nas zonas rurais do município, e é sempre dita em tom de brincadeira, e não de um jeito formal.

terça-feira, junho 07, 2011

DITO E FEITO


Cheio de gás



Alguém empolgado, entusiasmado, está "cheio de gás". Mas a origem da expressão não tem nada de positivo.

Em meados do século 19, a querosene, conhecida então como "gás", começou a substituir o óleo de coco, de mamona e outros tipos de azeite na iluminação pública das cidades brasileiras.

Uma casa muito iluminada podia significar ostentação - seu dono estaria "cheio de gás".

Segundo o folclorista Luís da Câmara Cascudo, o termo remetia a presunção e arrogância, a alguém "bancando o importante". Com o tempo, a expressão perdeu seu caráter negativo e passou a indicar energia, animação.

Aventuras na História

terça-feira, maio 03, 2011

DITO E FEITO


Lavar a égua



A origem desse termo, usado quando alguém realiza um negócio muito vantajoso ou obtém uma vitória esportiva por contagem bastante elevada, está relacionada ao turfe. Nos tempos áureos das corridas de cavalo no Brasil, os hipódromos eram cheios de glamour, e uma grande quantidade de dinheiro circulava entre apostadores e proprietários de animais.

Nessa época, era comum que os donos dos cavalos e das éguas vitoriosos usassem champanhe, em vez de água, para banhar os animais depois das corridas. Com o tempo, a expressão passou a ser usada para se referir a momentos de glória e realização e ganhou variações. A frase "lavar a égua" pode ser ouvida nas versões "lavar a burra" e "lavar a jega".

quarta-feira, março 30, 2011

DITO E FEITO


Sair do Armário



Hoje associada ao universo gay, a frase é uma apropriação feita no início do século 20, nos EUA, de um termo referente aos tradicionais bailes de debutante. Quando a família de uma jovem organizava esse tipo de festa, significava que ela estava sendo apresentada oficialmente à sociedade.

Em inglês, esse ato leva o nome de "come out", que quer dizer "surgir" e "emergir". O verbo começou a ser usado também quando alguém declarava a sua homossexualidade. Assim como ocorria com a debutante, o anúncio representava a entrada em um novo contexto social. Mais tarde, virou "sair do armário", "come out of the closet", traduzido em vários idiomas.

sexta-feira, janeiro 07, 2011

DITO E FEITO


Tintim por Tintim


"Conte-me tudo, tintim por tintim". Corrente tanto no português daqui como no d’além-mar, a expressão é utilizada para falar de alguma coisa descrita em seus mínimos detalhes. Segundo o filólogo brasileiro João Ribeiro, em seu livro Frases Feitas, “tintim é a onomatopéia do tilintar de moedas”, ou seja, tintim é o barulho que uma moeda faz quando cai sobre outra. Em sua origem, essa expressão era usada para se referir a uma conta ou dívida paga até a última moeda.

Um dos registros mais antigos da expressão é do século 16, no livro Aulegrafia, do português Jorge Ferreira de Vasconcelos. Ficou tão popular que entitula um samba de Geraldo Pereira e Haroldo Barbosa: “Você tem que dar/ tem que dar/ o que prometeu/ meu bem/ Mande o meu anel/ que de volta/ eu lhe mando o seu também/ Mande aquela carta/ em que eu dizia/ ‘o amor não fim’,/ que eu lhe mando outra/ explicando tintim por tintim".


quarta-feira, dezembro 08, 2010

DITO E FEITO


Lágrimas de Crocodilo



A frase, empregada para se referir a alguém que demonstra um choro fingido, tem registros desde o Egito antigo. Segundo escritos de Plínio, o Velho, do século 1, crocodilos que ficavam às margens do rio Nilo exibiam seus olhos lacrimejantes, dando a impressão de que choravam, para atrair e atacar as suas vítimas.

Séculos depois, o dramaturgo inglês William Shakespeare fez alusão ao termo em Otelo, de 1603: "Se com lágrimas de mulher fosse a terra fecundada, cada gota geraria um crocodilo".

Há, no entanto, uma explicação fisiológica para o choro do animal. Como as glândulas salivares e lacrimais ficam próximas, quando ele mastiga, a pressão sobre elas aumenta, fazendo com que as lágrimas escorram.

segunda-feira, novembro 15, 2010

DITO E FEITO...


Memória de Elefante



Empregada para elogiar quem tem facilidade de se lembrar de acontecimentos, a expressão tem a ver com a capacidade do animal de reconhecer rotas e outros elefantes mesmo quando separados por décadas.

Seguindo essa versão, uma frase do escritor Hector Saki, de 1910, ajudou a popularizar a citação: "Mulheres e elefantes nunca esquecem uma ofensa". Nascido em Burma, ele era familiarizado com o animal.

O filme No Caminho dos Elefantes, de 1954, mostra a história de uma mansão construída no Ceilão, na rota que esses animais faziam para beber água. Embora tivessem sido guiados por outros caminhos, eles sempre refaziam o original.

quarta-feira, setembro 22, 2010

DITO E FEITO...


Mundos e Fundos



Quando se diz que alguém prometeu "mundos e fundos", é porque essa pessoa fez promessas infundadas ou exageradas.

A origem da expressão remonta às navegações espanholas. Segundo uma antiga promessa que rogava "O céu pediu estrelas/O peixe pediu fundura", os aventureiros tinham uma impressão abissal do mar.

Para eles, a noção de mundo e da fundura do oceano era algo recorrente e trivial no dia a dia, daí o termo com os dois exageros.

sexta-feira, setembro 10, 2010

DITO E FEITO...


Amarrar o Bode



Quando dizemos que alguém amarrou o bode é porque a pessoa está de cara amarrada, mal-humorada, ranzinza e muito irritada.

A origem da expressão deriva do próprio comportamento do animal que dá nome à expressão. Normalmente criados em liberdade perambulando pelo pasto, quando amarrados, os bodes se tornam impacientes e rebeldes e dão início a um verdadeiro berreiro.

A expressão usada, então, para indicar a insatisfação de alguém perante determinada situação.

Mas o termo pode ainda ser usado para indicar o fim da liberdade (amorosa), no momento em que um casal resolve assumir um relacionamento sério.